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O que são as redes bancárias - e sua importância para o ecossistema financeiro

O que são as redes bancárias - e sua importância para o ecossistema financeiro
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Novos produtos e soluções financeiras não param de surgir e se desenvolver – nos últimos anos, por exemplo, as contas digitais e meios de pagamento como o Pix. E para garantir que todos funcionem, independentemente e entre si, todos acabam de certa maneira se conectando. E grande parte disso é possível graças às redes bancárias, que permitem integrar bancos e instituições financeiras dos mais diferentes segmentos.

Estas redes – sejam de dinheiro físico ou de transferências – permitem que qualquer usuário possa usar serviços do seu banco em caixas eletrônicos de outras marcas ou ainda transferir e pagar de forma descomplicada. Isso não apenas ajuda o consumidor, como traz uma série de novas oportunidades de negócios ao mercado.

Vamos entender neste artigo do que se tratam as redes bancárias, qual a sua importância para o ecossistema financeiro e como elas podem ajudar seu negócio a ganhar mais possibilidades de negócios.

Afinal, o que é uma rede bancária?

O nome pode soar simples, mas não existe um conceito único que explique o que é uma rede bancária. Na prática, existem várias redes bancárias que fazem parte de sistemas financeiros em diferentes países e no mundo. Estas redes podem ser, por exemplo, tecnológicas ou comerciais. Por exemplo:

  • As redes interbancárias comerciais que conectam diferentes bancos e instituições financeiros a caixas eletrônicos, como a Banco24Horas no Brasil e as redes Red Link e Banelco na Argentina;

  • Redes interbancárias de determinadas bandeiras de cartões, que conectam clientes que usam seus cartões a caixas eletrônicos operados por estas mesmas empresas;

  • Outras redes tecnológicas, como o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) que viabiliza o Pix. Esta infraestrutura conecta bancos e financeiras para que seus clientes possam fazer transações e pagamentos imediatos entre instituições diferentes;

  • Também dá ainda para pensar em diferentes tipos de redes financeiras nacionais e internacionais, como o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e a Sociedade Mundial de Telecomunicações Financeiras Interbancárias (conhecida como SWIFT), que permite a bancos de todo o mundo se comunicarem entre si para realizar transações internacionais;

  • Fora do contexto interbancário, cada banco e instituição financeira também têm sua rede bancária interna de agências e/ou de produtos e serviços.

Aqui, o nosso foco é nas redes que permitem conectar qualquer instituição financeira a serviços de retiradas, depósitos e transferências de valores. Ou seja, as redes interbancárias.

Para que servem as redes bancárias

Cada rede bancária, em especial as redes interbancárias, tem como característica principal o fato de que conecta produtos e serviços oferecidos para clientes dos bancos e instituições financeiras habilitadas.

As redes interbancárias, como o próprio nome sugere, conectam diferentes bancos e financeiras. As mais conhecidas no mercado permitem, portanto, que clientes de diferentes bancos e instituições financeiras façam na sua rede operações de cash in & cash out – ou seja, entrada e saída de dinheiro – em outros canais para além dos que lhe são oferecidos como cliente.

Na prática: usando o cartão de um banco que tenha acesso a uma determinada rede bancária, um usuário pode (dependendo de cada caso):

  • Fazer saques de dinheiro no caixa eletrônico desta rede, debitando da conta vinculada a seu cartão de débito ou pré-pago, por exemplo;

  • Sacar dinheiro com mais facilidade e economia no exterior, como no caso do uso de cartões pré-pagos de viagem que usam as principais bandeiras do mercado;

  • Depositar cédulas de dinheiro (não são todas as redes que permitem esta função);

  • Fazer transferências e pagamentos;

  • Usar outros serviços disponíveis no seu banco, mesmo usando um caixa eletrônico que não pertence a ele.

As redes são fundamentais para a integração do mercado

As redes interbancárias são essenciais para a integração do ecossistema financeiro. Em um mundo completamente globalizado, estas redes já existem em todo lugar – sejam elas privadas, a cargo do Estado ou de consórcios formados por várias instituições. E novidades no mercado, como serviços crypto, vêm tendo sua integração facilitada com o crescimento de soluções tecnológicas como redes que já usam blockchain.

E as redes também são uma fonte enorme de receita para a indústria de cartões. Por exemplo, desde a década de 1980 as duas principais bandeiras do mercado, Visa e Mastercard, possuem suas próprias redes internacionais, que dão acesso a cerca de 2 milhões de caixas eletrônicos no mundo cada. Este modelo dá aos clientes de seus cartões mais possibilidades de movimentação de dinheiro no mundo todo e, como explica o Banco Central Europeu, corta custos que as bandeiras teriam se operassem com outros provedores.

Enquanto isso, os bancos e instituições cujos cartões são usados nas redes interbancárias têm mais opções para que seus clientes movimentem valores sob sua custódia. Ah, e isto vale para qualquer instituição habilitada, não só bancos tradicionais. Se antigamente era difícil conseguir integrar às redes bancárias empresas que pertenciam a outros ramos, este processo é muito mais fácil hoje, podendo ser realizado com o apoio de um parceiro que oferece soluções de banking as a service.

E como uma rede bancária é criada, na prática?

Já que existem diferentes tipos de redes bancárias, a gente pode dizer de forma geral que elas seguem alguns passos em comum:

  1. Bancos e/ou bandeiras de cartões fecham acordos e aderem às redes interbancárias. No caso do Brasil, por exemplo, estes atores integram o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) para ter acesso a serviços de pagamentos como TED/DOC, cartão, cheque, etc. E, no caso do Pix, fazem parte do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI);

  1. O cliente do banco ou do cartão de determinada bandeira fica habilitado a usar a rede interbancária;

  1. Com o uso pelos clientes, banco e rede se acertam com as comissões e com eventuais liquidações de valores (com cartões de crédito, por exemplo) e de conversão de moedas (em caso de redes internacionais).

E a rede bancária do Pix?

O Pix tem um caso diferente de rede bancária: como a gente mostrou acima, ele integra um sistema instantâneo de transferências (o SPI), infraestrutura através da qual todos os bancos e instituições habilitadas permitem a seus clientes transferir valores e pagar serviços na hora e sem custos. Não se trata exatamente de uma rede interbancária, mas, no final, o resultado é bem parecido.

Algumas diferenças entre redes de transferências e as de cash & in cash out:

  • As redes de cash in & cash out servem para dinheiro físico, enquanto o Pix é na verdade um sistema online – ainda que já tenha as funções Pix Saque e Pix Troco, que permitem sacar valores em espécie em locais habilitados;

  • O usuário realiza todas as suas operações com o Pix direto da sua conexão com a internet no celular, enquanto as redes interbancárias que já mencionamos estão disponíveis para uso offline, em um terminal próprio (o caixa!);

  • O Pix não é um serviço comercial usado em um app ou um caixa: ele é operado por cada banco, usando um sistema centralizado do Banco Central brasileiro.

As redes bancárias ajudam na inclusão financeira

Seja no caso das redes bancárias ou do Pix, quando a gente fala de redes bancárias, está falando de mais possibilidades de integrar usuários comuns aos sistemas financeiros locais – e globais, dependendo do caso.

Como hoje qualquer empresa que queira oferecer contas e cartões já tem à disposição a possibilidade de se juntar a provedores que garantam acesso fácil às redes interbancárias, seus clientes podem acessar caixas eletrônicos e serviços de transferências aos quais não teriam acesso antes. É o caso das fintechs, cujo modelo de negócio ajuda diretamente na bancarização e na inclusão financeira de cidadãos comuns.

Por exemplo: ao integrar um negócio de carteira digital a redes interbancárias, esta solução passa a ter muito mais possibilidades de novas funções, possibilitando mais serviços bancários a cada cliente – e assim diversificando seu modelo de negócios. Sejam transferências, saques, retiradas, pagamentos, crédito, são muitas as possibilidades de conectar seus produtos financeiros a redes bancárias sem complicações!

SOBRE O AUTOR

Breno Salvador

Jornalista e mestre em Relações Internacionais, foi repórter, redator, produtor e pesquisador antes de se juntar ao nosso time de Marketing. Curioso e brincalhão, diz que é uma esponja: aonde vai, gosta de absorver de tudo, aprendendo e vivenciando o que cada lugar tem de único. Adora música, livros, cozinhar, futebol e tênis.

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