Agosto foi marcado por avanços em infraestrutura, ativos digitais e crédito que ajudam a indicar os próximos caminhos da indústria de pagamentos na América Latina. Estas são as notícias que definiram a agenda do mês.
No Brasil, as stablecoins ganharam ainda mais relevância e já representam 71,7% do volume de criptoativos declarado desde 2019, abrindo novas possibilidades para a tokenização da economia. Ao mesmo tempo, os pagamentos cross-border se consolidam como a próxima fronteira regional. No Chile, avança a criação de um sistema de pagamentos instantâneos voltado ao comércio, enquanto no México, o saldo de financiamento por meio de cartões de crédito cresceu 47,5% em um ano.
Stablecoins impulsionam a tokenização no Brasil
As stablecoins já representam cerca de R$ 1,13 trilhão, o equivalente a 71,7% do volume total de criptoativos declarado no Brasil entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, segundo dados da Receita Federal. Até 2019, o volume mensal negociado ainda era pouco representativo no mercado, mas começou a crescer de forma expressiva a partir de 2020 e atingiu o pico de R$ 39,7 bilhões em novembro de 2025.
Esse crescimento não reflete apenas o aumento da adoção por pessoas físicas e empresas. Ele também abre novas possibilidades para a tokenização de ativos e o desenvolvimento de produtos financeiros com liquidações instantâneas e programáveis. Com uma infraestrutura mais madura e um marco regulatório em evolução, o Brasil avança na integração das stablecoins aos mercados financeiros tradicionais e amplia o potencial de uso de ativos tokenizados.
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Pagamentos cross-border abrem uma nova etapa para a América Latina
A América Latina avançou rapidamente na modernização dos pagamentos locais. O Pix é o exemplo mais visível: permite movimentar dinheiro em segundos no Brasil e já concentra mais de 90% da atividade de pagamentos instantâneos do país. No entanto, quando uma empresa precisa pagar um fornecedor em outro mercado, a operação ainda pode envolver diversos intermediários e exigir conversões de moeda, além de levar de dois a cinco dias para ser concluída.
Nesse cenário, as stablecoins começam a funcionar como uma ponte entre os sistemas locais, com potencial para acelerar transferências internacionais e reduzir seus custos sem substituir a infraestrutura existente. Os cartões globais também podem desempenhar um papel relevante como camada de acesso a esses recursos e uso dos fundos: para empresas e usuários, a experiência permanece simples, enquanto conversão de moedas, compliance regulatório e liquidação acontecem nos bastidores.
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O Banco Central do Chile avança com uma proposta regulatória para ampliar o uso de pagamentos instantâneos no comércio. Embora o país já conte com uma infraestrutura robusta de transferências eletrônicas disponível 24 horas por dia, apenas 10% das operações interbancárias são pagamentos de pessoas para empresas. A iniciativa busca reduzir essa lacuna com QR Codes e identificadores simples, eliminando a necessidade de inserir manualmente os dados bancários em cada compra.
Diferentemente do Pix, criado e operado pelo Banco Central do Brasil, o modelo chileno seria baseado em um ecossistema privado regulado, interoperável e com padrões comuns. Para comerciantes, PMEs e feiras livres, a alternativa pode representar recebimento imediato e custos menores; para os usuários, uma experiência mais simples e uma nova opção em relação ao dinheiro em espécie e aos cartões.
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Crédito por meio de cartões ganha protagonismo no México
O saldo de financiamento por meio de cartões de crédito no México cresceu 47,5% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a 693,6 bilhões de pesos mexicanos em junho, de acordo com dados do Banxico. O avanço representa um aumento superior a 223 bilhões de pesos em um ano e reforça o protagonismo dos cartões não apenas como meio de pagamento, mas também como instrumento de acesso ao crédito e de financiamento do consumo.
O crescimento foi acompanhado por uma taxa de inadimplência de 3,73%, a mais alta desde dezembro de 2024. A evolução dos dois indicadores reforça a importância de combinar a expansão do financiamento com ferramentas de avaliação, gestão de riscos e monitoramento da carteira.
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