Abril trouxe sinais claros sobre para onde a indústria de pagamentos está caminhando. A seguir, reunimos algumas das principais notícias que movimentaram a agenda da América Latina ao longo do mês e que ajudam a entender os próximos passos do ecossistema.
Teve início a era do Open Finance na Colômbia; no México, o avanço dos pagamentos por aproximação e a cobrança via celular ganharam destaque; e o agentic commerce segue evoluindo, com impacto direto na infraestrutura de cartões. Ao mesmo tempo, cresceu a pressão por mecanismos mais robustos de prevenção a fraudes em pagamentos em tempo real, enquanto novas projeções reforçam o potencial de crescimento para o ecossistema de stablecoins.
Pagamentos agênticos exigem revisão da infraestrutura de cartões
Segundo a PYMNTS, o avanço do agentic commerce está pressionando uma revisão profunda na forma como a infraestrutura de cartões funciona. Isso porque os sistemas tradicionais foram desenhados para fluxos iniciados por humanos, e as operações automatizadas trazem novas exigências de autorização, controle e velocidade.
Nesse cenário, o artigo aponta que a indústria precisará modernizar seu stack tecnológico para suportar pagamentos mais dinâmicos, nos quais decisões são tomadas em tempo real por sistemas automatizados. A principal mensagem é clara: o comércio “agentic” não é apenas uma camada de UX, mas uma mudança estrutural que pode tensionar a arquitetura atual se ela não acompanhar esse novo modelo.
Além disso, o texto menciona que a tendência crescente dos pagamentos agênticos está diretamente ligada a pagamentos do dia a dia, como compras recorrentes de supermercados, um tipo de transação em que os usuários tendem a delegar com mais facilidade o pagamento para agentes.
Stablecoins: crescimento impulsionado por pagamentos B2B
A Juniper Research publicou o relatório “Stablecoins Market: 2026–2035”, com estimativas robustas de crescimento para o mercado de moedas estáveis: o volume total de transações com stablecoins pode saltar de US$ 39,8 bilhões em 2026 para US$ 9,8 trilhões em 2035, com um CAGR de 84,37%.
O relatório também destaca o impacto das stablecoins nos pagamentos B2B cross-border, que podem atingir US$ 5 trilhões até 2035, com potencial de disrupção dos canais tradicionais.
Mastercard: débito lidera no dia a dia e segurança define a adoção digital
De acordo com a Mastercard, os cartões de débito se consolidam como o principal meio de pagamento para o dia a dia na América Latina e no Caribe, 60% dos consumidores os utilizam em transações cotidianas. Ao mesmo tempo, o dinheiro em espécie ainda mantém relevância: 47% dos consumidores seguem usando-o, especialmente em contextos onde a aceitação digital é limitada, o que evidencia lacunas de infraestrutura.
A nota também reforça um ponto transversal: a segurança é central para a confiança e para a adoção sustentada, já que 95% dos usuários digitais consideram esse fator essencial. A conclusão implícita é que o crescimento dos pagamentos digitais depende não só da adoção, mas também da confiança, infraestrutura e mecanismos eficazes de proteção.
Prevenção de fraudes em tempo real: agir antes da transação
A PaymentsJournal destaca que, em pagamentos em tempo real, detectar fraude durante a transação já não é suficiente: o foco passa a ser preveni-las antes que o pagamento aconteça, já que a velocidade das transações reduz drasticamente as chances de reversão.
Nesse contexto, o FedNow devei incorporar uma API de “network intelligence”, capaz de fornecer sinais baseados em dados históricos da rede. Isso permitirá que bancos e PSPs avaliem risco em tempo real, com atenção especial ao recebedor. A proposta é ampliar o compartilhamento de inteligência para antecipar riscos em pagamentos instantâneos.
A Colômbia publicou o Decreto 0368 de 2026, que estabelece a obrigatoriedade do Open Finance no país.. Na prática, instituições financeiras — como bancos e outros participantes do sistema — passam a ser obrigadas a compartilhar dados pessoais e financeiros dos clientes, desde que hava consentimento explícito,, por meio de APIs padronizadas.
O obejtivo é ampliar o acesso ao crédito, fazendo com que pessoas e empresas não dependam apenas da instituição onde operam: elas poderão portar e compartilhar suas informações para que diferentes ofertantes compitam por melhores condições. O artigo destaca o impacto potencial para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e ressalta que o sucesso do modelo dependerá da implementação: a Superintendência Financeira terá seis meses para definir o cronograma técnico e até doze meses para colocar o sistema em operação. Veja todos os detalhes.
Pagamentos por aproximação no México: ponto de inflexão e cobrança NFC pelo celular
O México está entrando em uma fase mais acelerada de adoção dos pagamentos por aproximação, impulsionada por melhorias de infraestrutura e mudanças no comportamento dos consumidores. Esse movimento é favorecido pela evolução de soluções que permitem a cobrança via NFC diretamente pelo celular, reduzindo a dependência de maquininhas (POS) física para aceitar pagamentos.
Esse avanço representa um salto relevante para o ecossistema: amplia a aceitação, acelera a digitalização no varejo e abre espaço para que fintechs e processadores ofereçam experiências de pagamento mais ágeis e acessíveis.