Outubro foi marcado por avanços na digitalização dos pagamentos, novas exigências para o mercado de criptoativos e discussões sobre o uso de dinheiro em espécie na América Latina. Neste resumo, reunimos os principais acontecimentos do mês e seus impactos para o setor..
No Brasil, a taxa de fraude em pagamentos online com cartões registrou queda, enquanto as novas exigências regulatórias impulsionaram mudanças no mercado de criptoativos. Na Argentina, os pagamentos com QR Code avançaram, enquanto México e Colômbia deram novos passos, em diferentes estágios, para ampliar o uso de pagamentos digitais. Confira as notícias que marcaram o mês.
Cartões vinculados a stablecoins avançam globalmente e enfrentam desafios no Brasil
Os cartões vinculados a stablecoins ganham espaço no mercado internacional e permitem utilizar saldos em ativos como USDC e USDT para realizar compras em estabelecimentos que aceitam cartões tradicionais. Visa e Mastercard impulsionam o desenvolvimento dessas soluções, que buscam reduzir custos e agilizar pagamentos internacionais, com a possibilidade de movimentar recursos inclusive aos fins de semana e feriados. Nos modelos de débito, o usuário utiliza seu próprio saldo; já nos de crédito, as stablecoins podem ser utilizadas como garantia. Entre os principais atrativos estão a agilidade dos pagamentos internacionais e o potencial de reduzir intermediários e custos operacionais.
Em países como o Brasil, onde o Pix já tem forte presença nos pagamentos do dia a dia, esses cartões enfrentam desafios adicionais de adoção. As principais oportunidades estão nos pagamentos internacionais e no atendimento a públicos como viajantes e profissionais que recebem recursos do exterior, já que já que o Pix atende a grande parte das necessidades de transferências domésticas. Além disso, as novas exigências regulatórias para operações com ativos virtuais influenciam a expansão dessas soluções e o lançamento de novos produtos.
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A taxa de fraude em pagamentos online com cartões caiu 36,5% no Brasil em três anos, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). O indicador passou de 54,4 para 34,5 pontos-base entre o terceiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2025. A redução acompanha avanços em tokenização, autenticação e proteção de dados.
Para o e-commerce, o desafio é combater fraudes sem comprometer a aprovação de compras legítimas. Nesse contexto, o Mercado Pago lançou o Pagamentos Rápidos, solução que simplifica o checkout por meio da tokenização. Segundo a empresa, durante os testes, os lojistas registraram aumentos médios de 12 pontos percentuais na taxa de aprovação dos pagamentos e de 15 pontos percentuais na conversão de vendas.
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Novas regras impulsionam mudanças no mercado de criptoativos no Brasil
As novas exigências do Banco Central estão transformando o mercado brasileiro de criptoativos. Com requisitos mais rigorosos de capital, autorização e controles operacionais, algumas empresas estão revendo suas estratégias, buscando parcerias ou adaptando seus modelos de negócio para atuar no ambiente regulado.
As mudanças acontecem em um mercado que movimentou R$ 283 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Receita Federal citados pela Folha de S.Paulo. Embora tragam desafios de adaptação, as novas regras também buscam fortalecer a segurança jurídica e a confiança no setor, contribuindo para o desenvolvimento de um mercado mais estruturado.
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Os pagamentos por transferência iniciados com QR Code interoperável cresceram 67,5% em relação ao ano anterior e chegaram a 117,2 milhões de operações em agosto, segundo o Banco Central da República Argentina (BCRA). No mesmo período, as transferências instantâneas em pesos aumentaram 20,3%, alcançando 779 milhões de transações.
As contas de pagamento das carteiras digitais também concentram 53,8% das transações creditadas aos estabelecimentos comerciais. O relatório registrou ainda quedas anuais na quantidade de pagamentos com cartões de débito e crédito, considerando os dados de julho, último mês disponível para esses indicadores.
Outra novidade foi a implementação dos cheques eletrônicos em dólares (eCheq). Em agosto, foram compensados 247 eCheqs, totalizando US$ 39,3 milhões. A ferramenta amplia as opções de pagamentos a prazo e financiamento para empresas que realizam operações nessa moeda.
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Consulte o relatório de agosto de 2026 do BCRA
México aprova lei para ampliar o uso de pagamentos digitais
O Congresso mexicano aprovou a Lei de Economia Digital para Pagamentos Digitais e Eletrônicos, que busca incentivar o uso de transferências, cartões e QR Code. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 6 de outubro e pelo Senado em 20 de outubro, seguindo para promulgação e publicação pelo Executivo.
A legislação permite que a Secretaria da Fazenda do México (Hacienda) defina setores em que os pagamentos deverão ser realizados exclusivamente por meios digitais. A cobertura da aprovação na Câmara apontou pedágios e postos de combustíveis como possíveis setores iniciais. A implementação dependerá de regulamentações específicas para cada atividade, com exceções para pagamentos em dinheiro ou cheque em caso de falhas técnicas.
A lei também prevê que os terminais de pagamento que aceitam cartões possam processar transações por QR Code, que o Banco do México (Banxico) homologue os aplicativos financeiros e que a CURP Digital e o Expediente Digital Ciudadano facilitem a contratação remota de serviços financeiros. Até 26 de outubro de 2026, a publicação no Diario Oficial de la Federación, necessária para a entrada em vigor, ainda estava pendente.
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Leia a cobertura da aprovação na Câmara, no La Jornada
Colombia Fintech defende limites ao uso de dinheiro em espécie e ampliação dos pagamentos digitais
A Colombia Fintech manifestou apoio à proposta do governo colombiano de restringir o uso de dinheiro em espécie em determinadas operações e defendeu que a medida seja acompanhada de iniciativas para ampliar a adoção de pagamentos digitais. Segundo a associação, essas mudanças podem contribuir para a formalização de empresas e melhorar a rastreabilidade das transações. A proposta tem como foco especialmente operações de alto valor, como a compra de imóveis e veículos.
As recomendações da entidade também abrangem os pagamentos do dia a dia. Segundo o Impacto TIC, a associação propôs ampliar o uso de pagamentos digitais em pedágios e serviços públicos, além de expandir as soluções de pagamentos instantâneos para o transporte e os pequenos negócios. Para a entidade, o registro dessas operações pode facilitar o acesso a serviços financeiros. As medidas ainda estão em discussão e sua implementação depende de avanços legislativos, além da superação de desafios de conectividade e de acesso.
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Veja também a cobertura do Impacto TIC