Setembro foi marcado por avanços regulatórios, resultados do primeiro semestre e mudanças no mercado de criptoativos que ajudam a indicar os próximos caminhos do setor de pagamentos na América Latina. Estas são as notícias que marcaram o mês:
O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu começaram a avaliar a possibilidade de conectar o Pix à infraestrutura europeia de pagamentos instantâneos. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial já representa 55% das primeiras rodadas de venture capital na região. Na Colômbia, o mercado de criptoativos ganhou ainda mais relevância e passou a ocupar a quinta posição na América Latina, enquanto o Brasil estabeleceu novas exigências de comunicação de operações envolvendo carteiras autocustodiadas.
Pix pode se conectar à Europa para pagamentos internacionais instantâneos
O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu anunciaram, em 24 de setembro, o início de uma avaliação conjunta sobre a possibilidade de conectar o Pix ao TIPS (TARGET Instant Payment Settlement), a infraestrutura europeia de liquidação instantânea que hoje opera em euros, coroas suecas e coroas dinamarquesas. O estudo vai analisar os aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio necessários para integrar os dois sistemas, ainda sem prazo definido para sua conclusão.
Se o projeto avançar, uma pessoa no Brasil poderá pagar em Lisboa ou receber dinheiro de Paris em segundos, com liquidação nas respectivas moedas locais. A iniciativa busca reduzir custos, acelerar as transferências e aumentar a transparência dos pagamentos transfronteiriços entre as duas regiões, em linha com as metas do G20 para pagamentos internacionais. O cronograma preliminar prevê uma fase de estudos até março de 2027, com um eventual piloto apenas em 2028.
Leia a matéria completa no G1 Globo
O Banco Central do Brasil anunciou, em 23 de setembro, novas regras para o mercado de criptoativos por meio das Resoluções BCB nº 588 e 589, que reforçam a prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. A principal mudança determina a comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das transferências de ativos virtuais em valor igual ou superior ao equivalente a US$ 10 mil, realizadas para ou a partir de carteiras autocustodiadas, nas quais o próprio usuário controla as chaves privadas de acesso aos ativos, sem depender de uma instituição custodiante.
As normas também entre as comunicações automáticas ao Coaf as operações de câmbio com entrega ou recebimento de moeda estrangeira em espécie no mesmo valor. As novas regras entraram em vigor em 1º de outubro de 2026 e não proíbem as transferências nem estabelecem limites para a posse de criptoativos: apenas determinam a comunicaçõa obrigatória das operações que atingirem esse valor.
Leia a matéria completa no G1 Globo
Inteligência artificial lidera as primeiras rodadas de investimento na América Latina em 2026
No primeiro semestre de 2026, 55% das startups latino-americanas que captaram sua primeira rodada de venture capital atuavam no setor de inteligência artificial, ante 30% em 2025, segundo o relatório 2026 Latin American Startup Ecosystem Insights, da LAVCA. O avanço reforça que a IA deixou de ser apenas uma funcionalidade adicional apresentada aos investidores e passou a ocupar um papel central no desenvolvimento de produtos, permitindo que times menores criem soluções especializadas para setores como finanças, comércio, logística e saúde.
O cenário de investimentos na região também passou por mudanças importantes. O México liderou a captação de recursos com US$ 877 milhões, superando o Brasil (US$ 703 milhões) pela segunda vez na história em um semestre, impulsionado por grandes rodadas de empresas como Plata e Kavak. Já o Chile registrou uma queda expressiva: suas startups captaram apenas US$ 47 milhões, um dos menores volumes nos últimos anos.
Leia a matéria completa em La Tercera
Colômbia se consolida como o quinto maior mercado de criptoativos da região
A Colômbia recebeu US$ 44,2 bilhões em criptoativos entre julho de 2024 e junho de 2025, segundo um relatório da Anif, consolidando-se como o quinto mercado da América Latina, atrás de Brasil, Argentina, México e Venezuela. Estima-se que mais de cinco milhões de colombianos já operam com esses ativos, números que mostram a relevância que o mercado cripto ganhou no país.
O relatório alerta, no entanto, que a Colômbia ainda não conta com um marco regulatório abrangente nem com uma estrutura de supervisão consolidada para o setor, enquanto outros dez mercados da região já possuem regulações específicas. Para a Anif, a manutenção dessa lacuna regulatória pode trazer consequências para o país no futuro, especialmente diante do avanço de outros mercados latino-americanos na definição de regras mais claras e previsíveis.
Leia a matéria completa em La República