A autenticação de dois fatores é uma etapa em que o emissor verifica se quem está realizando é realmente o titular do cartão. Também é uma das etapas que podem influenciar a conclusão ou o abandono da compra.
Durante anos, um dos métodos mais utilizados para essa verificação foi o envio de códigos por SMS. Hoje, esse método apresenta limitações de segurança e pode gerar atrito na experiência de compra, enquanto as bandeiras avançam na adoção de alternativas. Na Pomelo, incorporamos a autenticação Out-of-Band (OOB) ao nosso módulo de 3D Secure. A seguir, explicamos como esse método funciona e quais são suas vantagens.
O que é autenticação OOB?
Out-of-Band (OOB) significa "fora de banda" e se refere à autenticação realizada por um canal diferente daquele em que a transação foi iniciada. Esse canal pode ser o aplicativo do emissor do cartão. Outra alternativa de autenticação é o uso de uma chave criptográfica vinculada ao dispositivo do usuário, como uma passkey, que permite a verificação por meio da biometria local.
Em vez de enviar um código para o usuário digitar no site da loja, o emissor envia uma notificação push para o seu próprio aplicativo. O usuário abre o aplicativo, confere os detalhes da transação e confirma a operação com biometria ou PIN. O resultado da autenticação é comunicado pelo fluxo do 3D Secure, sem que o usuário precise digitar um código no navegador.

Como funciona o fluxo OOB para o usuário?
No fluxo de autenticação OOB por aplicativo, o processo começa com uma notificação push. O que muda é o dispositivo usado para realizar a compra:
Um único dispositivo (single device): a compra é feita no mesmo celular em que o app do emissor está instalado. O usuário recebe a notificação push, abre o aplicativo ou é redirecionado automaticamente para ele, autentica a operação com biometria e a transação segue para processamento.
Dispositivos diferentes (multiple devices): a compra é feita em um computador, enquanto a autenticação acontece no celular. O usuário confirma a operação com biometria no app do emissor e retorna ao site da loja para concluir a compra.
Por que vale a pena migrar de OTP para OOB?
A autenticação por código enviado por SMS cumpriu um papel importante na segurança dos pagamentos digitais, mas apresenta uma limitação estrutural: o código pode ser compartilhado ou interceptado. Diversas modalidades de fraudes atuais exploram essa vulnerabilidade, desde a troca indevida de chip (SIM swap) até ataques de phishing em tempo real, que capturam os códigos e os utilizam em segundos.
Os números dos últimos anos mostram a dimensão desse risco. Segundo a FTC, consumidores dos Estados Unidos perderam US$ 470 milhões com golpes iniciados por mensagem de texto em 2024, cinco vezes mais do que em 2020. No Reino Unido, a Cifas registrou um aumento de 1.055% nos casos de troca não autorizada de chip (SIM swap) em 2024, com quase 3.000 ocorrências. Esse tipo de ataque pode interceptar os códigos de autenticação e o acesso indevido a contas.
As exigências de segurança também estão evoluindo. O NIST (National Institute of Standards and Technology) classifica a autenticação por OTPs via SMS como um método restrito em suas diretrizes de identidade digital. Em Singapura, começaram a eliminar o uso de OTP por SMS no login em 2024, enquanto os Emirados Árabes Unidos avançaram na substituição desse método no setor bancário. No caso da Mastercard, a partir de 13 de outubro de 2026, novas exigências passaram a limitar o uso de OTP como método de autenticação em seus programas. A autenticação OOB é uma das alternativas para essa migração.
Como funciona a autenticação OOB da Pomelo?
Adicionamos a autenticação OOB como método de verificação no nosso módulo de 3D Secure, disponível para todos os programas de cartões da Pomelo, independentemente da bandeira. Para cartões emitidos com a bandeira Mastercard, a migração de OTP para OOB passou a ser obrigatória a partir de 13 de outubro de 2026. A integração com a Pomelo é feita via webhooks e contempla:
Autenticações com biometria ou PIN pelo aplicativo do emissor
Gerenciamento do fluxo de desafio de autenticação (challenge) por meio de webhooks
Substituição do desafio baseado em OTP por um fluxo completo de autenticação OOB
Personalização da experiência de autenticação sem depender da digitação de códigos OTP
Além disso, a Pomelo gerencia toda a infraestrutura de 3DS, incluindo a comunicação com a bandeira, a gestão do protocolo, os mecanismos de transferência de responsabilidade (liability shift) e a orquestração do desafio de autenticação. O emissor fica responsável pela experiência dentro do seu aplicativo.
E se meus usuários não tiverem um app?
O fluxo OOB descrito acima pressupõe que o emissor tenha um aplicativo móvel e que seus usuários possam utilizá-lo. No entanto, existem emissores, como corretoras, agentes de liquidação e compensação ( ALyCs, na Argentina) e plataformas de investimento, cujos realizam parte das operações pelo computador e nem sempre têm um app próprio instalado.
Nesses casos, uma alternativa ao fluxo OOB tradicional por aplicativo é utilizar tecnologias como WebAuthn ou passkeys. O usuário cadastra uma credencial criptográfica no dispositivo (notebook ou PC) e, no momento da compra, pode realizar a autenticação diretamente pelo navegador, utilizando a biometria local ou outro mecanismo de desbloqueio compatível. Assim, não precisa digitar um código recebido por SMS nem abrir o app do emissor. Essas tecnologias podem ser utilizadas em fluxos de autenticação multifator (MFA) compatíveis com os requisitos da especificação 3DS 2.3.1.
A Mastercard exige que os fatores utilizados na autenticação atendam a critérios específicos de independência. Um código gerado dentro da mesma sessão autenticada do usuário pode não cumprir esses requisitos. Tecnologias como WebAuthn e passkeys oferecem alternativas baseadas em autenticação criptográfica, desde que implementadas de acordo com as exigências aplicáveis.
A Pomelo pode orientar os emissores na escolha do método mais adequado, considerando sua arquitetura tecnológica e o perfil dos usuários.
Por que escolher a Pomelo para a sua autenticação de dois fatores
Migração simplificada: adapte seu programa às novas exigências da Mastercard sem precisar construir toda a infraestrutura de 3DS do zero;
Menos atritos nas autenticações: a verificação com biometria elimina a necessidade de receber, localizar e digitar códigos por SMS, reduzindo etapas que podem levar ao abandono da compra.
Mais segurança: sem códigos OTP para compartilhar ou interceptar, o fluxo reduz a exposição a determinadas modalidades de fraude e engenharia social.
Menores custos operacionais: reduza a dependência do envio de SMS a cada autenticação e a exposição a custos relacionados ao tráfego artificialmente inflado.
Infraestrutura integrada: a autenticação OOB funciona de forma nativa no módulo de 3DS e na infraestrutura de cartões da Pomelo.
Experiência personalizada: ofereça uma jornada de autenticação com a identidade visual, as mensagens e a marca do seu negócio, em vez de uma experiência padronizada para todos os emissores.
Autenticação OOB para emissores que ainda não têm 3DS
Para um emissor que está avaliando implementar o 3DS Secure, adotar OOB desde o início evita retrabalho: não é necessário desenvolver um fluxo baseado em OTP que terá de ser migrado posteriormente. Além disso, permite criar, desde o primeiro dia, uma experiência de autenticação integrada ao app, em vez de depender de um processo realizado por outro canal.
Para implementar OOB, o emissor precisa de:
Um aplicativo com sessão autenticada
Capacidade de enviar notificações push
Desenvolvimento da uma tela de aprovação com biometria ou PIN
A integração com a Pomelo é feita via webhooks, enquanto o desenvolvimento por parte do emissor se concentra na experiência de aprovação dentro do aplicativo, que será utilizada pelos usuários durante a autenticação de cada compra.
Entre em contato com a nossa equipe para implementar a autenticação OOB.
Perguntas frequentes
O que é autenticação OOB no 3DS?
A autenticação Out-of-Band (OOB) é um método de autenticação no 3DS Secure (3DS) em que a verificação da identidade do usuário acontece fora do canal em que a transação foi iniciada. Em vez de digitar um código no site da loja, como acontece na autenticação conhecida como OTP, o usuário aprova a operação pelo aplicativo do emissor, utilizando biometria ou PIN.
Qual é a diferença entre OTP e OOB?
Com OTP, o emissor envia um código que o usuário precisa digitar no checkout, o que pode expô-lo a riscos de interceptação e engenharia social. Com OOB, a autenticação acontece no app do emissor, e o resultado é comunicado por meio do fluxo do 3DS. Como não há um código por SMS para o usuário compartilhar ou digitar, o método reduz a exposição a determinadas modalidades de fraude.
É obrigatório implementar OOB?
Para cartões emitidos com a bandeira Mastercard, o uso de OTP como método único deixou de ser suficiente a partir de 13 de outubro de 2026. O OOB é uma das alternativas para atender aos novos requisitos.
OOB funciona se o usuário comprar pelo computador?
Sim. O OOB permite um fluxo com vários dispositivos (multiple devices). Quando a compra é realizada pelo computador, a autenticação pode acontecer pelo celular, por meio de uma notificação push. O usuário confirma a operação com biometria ou PIN no app do emissor e volta ao computador para concluir a compra.
Para emissores cujos usuários realizam a maior parte das operações pelo computador e que não têm um aplicativo móvel, a Pomelo também pode implementar OOB por meio de passkeys ou WebAuthn:. Nesse caso, o usuário pode confirmar sua identidade diretamente pelo navegador, utilizando a biometria do dispositivo (impressão digital, Face ID ou Windows Hello) ou outro mecanismo de desbloqueio do dispositivo, sem precisar digitar códigos nem sair do checkout. O princípio é o mesmo: um fator criptográfico independente do canal da transação.
Para implementar a autenticação OOB com a Pomelo, os emissores precisam de um aplicativo com sessão autenticada, capacidade de enviar notificações push e desenvolvimento da tela de aprovação de transações com biometria ou PIN. A integração com a Pomelo é feita via webhooks.
A autenticação OOB está disponível para todos os programas de cartões?
Sim. A autenticação OOB está disponível no módulo de 3DS da Pomelo para todos os programas de cartões, independentemente da bandeira com que operem.
OOB substitui o OTP ou funciona em paralelo?
Na implementação OOB da Pomelo descrita neste artigo, o fluxo de autenticação baseado em códigos OTP é substituído por um processo de autenticação realizado pelo aplicativo do emissor. Dessa forma, o usuário não precisa receber ou digitar códigos por SMS para confirmar a operação.